Quem anda no trilho é trem de ferro. Sou água que corre entre pedras – liberdade caça jeito”. (Manoel de Barros)

Começo este artigo parafraseando um poeta muito especial. Um cara que amava a terra que viveu e que escolheu para si, não por coincidência a cidade em que eu também nasci: Campo Grande.

Mesmo Manoel de Barros escolhendo fincar raízes em um único local durante anos, ele se sentia livre.

A liberdade não está apenas no ato de ir e vir, mas de ter suas próprias escolhas, mesmo que estas pareçam te deixar preso e enclausurado dentro de casa. São opções pessoais, que ninguém pode simplesmente julgá-las.

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Foto: Unsplash.

Quando finalmente chegou o momento de me despedir do meu método tradicional de vida e partir para algo que desejava, ouvi muitas frases do tipo: “Nossa que sorte, vai morar um tempo no exterior!” ou “Como você largou um emprego que todo mundo queria ter para ser andarilho!”. Eu posso até compreender a surpresa, mas não posso aceitar que o que me levou a esta escolha tenha vindo simplesmente do acaso.

Saí muito cedo de casa, aos 21 e recém-formado, me casei e fui trabalhar em outro estado. Eu arrisquei o conforto da minha casa para me jogar de cabeça em um emprego que poderia trazer a reviravolta que eu esperava em uma vida, digamos, pacata demais para meus padrões.

Foram 15 anos vendo fotos de família em reuniões que eu não pude estar. Foram natais e nascimentos de sobrinhos que eu não pude presenciar. Então, a tomada de decisão que me levou hoje a possibilidade de trabalhar de onde eu quisesse não foi, absolutamente, fruto do acaso.

Um ditado popular que me identifico muito e você já deve ter ouvido é: “Todo mundo vê as pingas que tomo, mas ninguém vê os tombos que levo!”. Apesar de soar um pouco desleixado, é a mais pura verdade e traz à tona exatamente a superficialidade com que os outros podem enxergar sobre sua vida.

As dúvidas e subjetividades que as pessoas mostravam sobre minha nova escolha, como se a nova vida fosse algo tão impensável e distante que eu era sortudo, ou que postar fotos lindas de vários lugares do mundo, tirariam minha dependência por dinheiro ou de trabalhar!

Mesmo para quem quer ser um nômade digital, acredito que ainda exista uma fantasia muito grande sobre esse estilo de vida e que pode, ao meu ver, frustrar muitos que possam estar apostando todas suas fichas nisso.

Antes de executar o seu plano de ser um nômade digital é importante refletir sobre três situações básicas que você passará a conviver com mais frequência ao adotar este novo estilo de vida:

#1 – Conforto é relativo, mas importante

Vejo com frequência pessoas sonhando em morar no exterior ou viajar o mundo enquanto realiza um trabalho remoto. Algumas sacrificam o conforto de sua casa para viver essa experiência, porém não se adaptam pois escolheram reduzir substancialmente seu custo de vida em prol deste sonho. A redução de custo de vida é muito pessoal e relativa, sendo assim cada um sabe até onde poderá se sacrificar em detrimento a viver uma nova.

Pessoas que apreciam ter minimamente sua privacidade preservada, terão dificuldades em se acostumarem em “hósteis” e albergues por exemplo. Desta forma se frustrarão com a tão sonhada experiência por não terem pensado ou se planejado financeiramente para evitar isso antes de pôr o pé na estrada.

#2 – Planejamento te poupará de muitas dores de cabeça

Quando saí oficialmente do meu emprego tradicional, me dediquei 2 meses em um planejamento minucioso sobre como seria minha rotina dali em diante. Curiosamente não passei este período viajando e sim em casa, fazendo contas e escolhendo locais com custos de vida aceitáveis para meus novos rendimentos e dentro dos limites de conforto que estabeleci.

Me preparei e planejei com detalhes meu novo estilo de vida, fazendo diversos cenários para o futuro, como: no mês em que não teria “trabalho”, quais seriam os valores mínimos para sobreviver e quais gastos cortaria; quais os percentuais de economias faria em meses mais fartos e assim por diante. Ao encerrar este período, virei a chave e estava novamente empenhado em minhas novas atribuições para uma startup no Brasil.

#3 – Seu trabalho remoto ou no exterior também precisa de propósito

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Foto: Unsplash.

Hoje ouvimos com menos frequência o ideal do Sonho Americano, porém, existe uma onda de sonhos irlandeses, canadenses e tailandeses. A globalização nos abriu um leque de escolhas praticamente infinitas de desenvolvimento profissional ao redor do mundo. Se antes os jovens buscavam independência financeira e uma vida melhor nos EUA, hoje, viver com menos, mas com melhor qualidade de vida passou a ser o mote de muitos.

As novas gerações começaram a buscar uma plena realização profissional mesmo que as vantagens financeiras não sejam as mesmas. Há algum tempo atrás, a maioria das pessoas tinham sonhos mais materiais e buscavam um trabalho fora para retornar ao Brasil com um bom saldo no banco e assim viver sua vida plena no país.

Isso de forma alguma é errado, porém não é nomadismo digital.

E antes que você brade aos quatro cantos sobre seu “nomadismo”, preocupe-se mais com a essência do que o rótulo: busque um propósito!

Ter a liberdade da escolha de conviver com pessoas de culturas diferentes pode ser um propósito de vida comum para muitos nômades digitais, mas forço a crer que cada indivíduo precisa encontrar em seu âmago a própria condição de plenitude.

Tente buscar algo que te satisfaça como profissional, buscando prazer nas pequenas e mais singelas experiências que a vida possa te proporcionar. 

Esta foi minha escolha! E a sua?

*Texto publicado originalmente por Eberson Terra no LinkedIn.


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nômade digital

Após 12 anos como executivo em uma mega empresa de educação, resolveu buscar a felicidade nas coisas simples da vida, viajando por mais de 40 países e coletando experiências das mais diversas possíveis. Atualmente dedica seu tempo no planejamento de sua primeira startup no ramo cervejeiro e a criação de conteúdo sobre ascensão profissional, período sabático, movimento FIRE e nomadismo digital.