Você pode espernear, pode tentar argumentar que os “gringos” sequer tentam falar português quando visitam o Brasil, mas não pode negar que o inglês se tornou uma língua universal e que quem não o domina perde diversas oportunidades – profissionais ou não.

Num país com pouco mais de 200 milhões de habitantes é triste pensar que apenas 3% da população tem fluência na língua que domina não só o mundo dos negócios, mas também as interações em cidades turísticas mundo afora. Por outro lado, para esses 3%, o sentimento é o oposto: uma pesquisa da Catho mostra que falar inglês no Brasil significa ganhar até 61% mais do que quem não fala.

E agora seus argumentos podem variar. Você pode dizer que a culpa de você não falar inglês é do ensino das escolas públicas. Posso concordar com você, mas também estudei em escola pública. Você pode dizer que para aprender de verdade é necessário um intercâmbio. Posso concordar com você, mas também nunca tive a oportunidade de fazer um intercâmbio.

Enfim, você pode me dar diversas desculpas e posso até concordar com a maioria delas, mas enquanto você perde energia procurando argumentos ao invés de se mexer e tentar aprender inglês, independente do método, o tempo seguirá passando e suas oportunidades e vivências continuarão limitadas.

Um mundo de oportunidades

Há quase dois anos sou o que chamam de nômade digital, ou seja, tenho a flexibilidade de trabalhar remotamente em qualquer lugar do mundo que tenha uma boa conexão com a internet. Meus clientes estão no Brasil enquanto posso estar, por exemplo, num café em Chiang Mai, na Tailândia.

É meio óbvio que nesse estilo de vida que levo o inglês é essencial, porém, eu não imaginava o quanto até começar a viajar. Foi ele que me salvou quando tive meu carro rebocado na Alemanha. Foi ele que me salvou quando peguei um trem errado na Coreia do Sul numa madrugada gelada. Foi ele que me salvou na imigração dos Estados Unidos quando o oficial queria detalhes da minha profissão – algo difícil de explicar até em português (minha mãe até hoje não sabe direito o que um produtor de conteúdo faz).

Mas, não pense que o inglês serve apenas para a hora do aperto. Minhas melhores histórias de viagens só aconteceram por causa da língua inglesa. Os chopes com o ex-capitão da gloriosa seleção da Groenlândia num pub na Itália, a lição que recebi sobre segregação racial de um idoso em situação de rua nos Estados Unidos, o papo inesquecível com um nômade digital sexagenário e a aula de culinária com um monge budista, ambos na Tailândia, além dos diversos amigos e contatos profissionais que fiz em cafés, bares e coworkings ao redor do globo.

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Eu e meu amigo René, o ex-capitão da gloriosa seleção da Groenlândia, após alguns chopes.

Todas essas experiências únicas, além de muitas outras não citadas, só ocorreram porque eu consigo me comunicar em inglês. A língua inglesa tem a capacidade de lhe inserir em novas culturas. Seja para trabalho, estudo ou lazer. É, de fato, um mundo de oportunidades.

Recuperar o tempo perdido é mais fácil do que você imagina

Ok, você se convenceu de que precisa aprender inglês, mas não sabe por onde começar. Cursinho? Intercâmbio? Implante de chip à la Matrix?

Cursos são um ótimo começo e hoje há uma infinidade de opções que se encaixam em qualquer necessidade e/ou bolso. Porém, apenas um curso não vai te deixar fluente. Você precisa praticar. E, por praticar, não digo apenas interagir com pessoas nativas do idioma. Sei que nem todo mundo tem condições de fazer uma imersão em outro país. Porém, você pode praticar sem sair de casa.

Eu me tornei um nômade digital apenas ano passado – tenho 29 anos e desde o começo da adolescência o inglês está na minha vida em forma de games, músicas, filmes, séries e livros.

Antes de me tornar um nômade, no entanto, tinha feito apenas duas viagens onde precisei usar meu inglês. Um mochilão para a Europa em 2013 e uma viagem de férias para os Estados Unidos em 2014. Em ambas oportunidades percebi como meu vocabulário era limitado. Eu conseguia me virar com o básico, mas engatar uma conversa com um desconhecido era um parto.

Sempre ouvi músicas e assisti filmes e séries em inglês. Porém, fazia isso de forma automática. Entendia as frases por causa de seus contextos, mas não utilizava isso como um exercício para melhorar o idioma. Foi então que mudei meu “mindset” – palavrinha da moda pra dizer que alterei minha configuração mental.

Comecei a ouvir músicas mais lentas, geralmente acústicas, para prestar atenção nas letras. Maratonei séries como Friends e How I Met Your Mother para aprender palavras usadas no dia a dia – esse tipo de série onde há um grupo de amigos é uma ótima maneira de aprender frases que você pode utilizar num bar com um desconhecido, por exemplo. Uma outra dica para melhorar seu listening é ouvir podcasts em inglês. Os meus favoritos estão nessa lista.

Para melhorar a leitura e consequentemente sua escrita, a dica é ler notícias em inglês. Isso vai lhe dar um leque de palavras do cotidiano que dificilmente aprendemos nos cursos. Uma dica nesse sentido é o Wise Up News: uma plataforma gratuita com as principais notícias do dia em inglês para que qualquer pessoa possa aprender e/ou praticar e, de quebra, manter-se atualizado. O grande diferencial é que todas as notícias são produzidas diretamente em inglês, ou seja, não são traduções do português para o inglês.

Para finalizar: tudo o que você precisa para ser bem tratado no exterior é ter um pouquinho de empatia – e ser fluente em inglês

Você já deve ter ouvido que franceses são arrogantes, alemães antipáticos e italianos grosseiros. Eu sempre falo para os meus amigos que estes são apenas estereótipos – assim como lá fora, infelizmente, os estrangeiros pensam que todo brasileiro é “malandro”.

Geralmente, recebo como réplica algo do tipo: “mas eu já fui em tal país e não fui bem tratado“. Quem diz isso, na grande maioria das vezes, só é fluente em português e fala no máximo dez palavras em inglês.

Culturalmente, países podem ter suas diferenças. Porém, a psicologia humana não. Quando fui para Tailândia e Coreia do Sul, países que sequer utilizam o nosso alfabeto, aprendi a dizer palavras como “oi“, “muito obrigado“, “por favor” e “tchau” nos idiomas locais. Eu provavelmente as pronunciava de forma errada, porém, ganhava a simpatia dos nativos.

Como garçons, garçonetes, motoristas, recepcionistas e outras pessoas que cruzavam meu caminho percebiam esse esforço da minha parte para agradá-los, não se importavam em conversar em inglês comigo depois de ouvir um “do you speak english?” após minha saudação no seu idioma.

Empatia, meus caros.

E não pense que esse “hack” funciona apenas em países asiáticos. Fiz o mesmo na Europa e tive êxito em países cujos estereótipos me diziam que eu poderia ser mal tratado. Ou seja, você pode viajar o mundo tendo como segunda língua apenas o inglês. Como você será tratado, no entanto, dependerá da sua atitude.

*Este artigo foi escrito em parceria com Gazeta do Povo e Wise Up.


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Nômade digital que escreve, empreende e ensina. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Você também pode ler meus conteúdos no HuffPost, no Transformação Digital, na Comunidade Rock Content e no Medium.