Era o ano de 2011, o último na faculdade. Eu tinha concluído todos os estágios obrigatórios, não “devia” nenhuma matéria e tinha sido aprovado com nota máxima no trabalho de conclusão de curso – o temido “TCC”. 

Era só esperar o último dia de aula, pegar o diploma na cerimônia solene, jogar o capelo para cima, comemorar bastante na festa de formatura e…  

Isso mesmo. Depois disso eu não sabia o que ia fazer. 

Desde pequeno eu queria ser músico. Eu não tinha a mínima ideia de como ganharia a vida com isso – parece que não nos preocupamos com essas coisas quando crianças –, mas, na minha imaginação, eu ia viajar o mundo e tocar. 

Eu queria liberdade. 

Esse aí na foto sou eu. Cabeludo ainda, na beira de um lago tentando fazer música. Hippies me entenderão.

Durante a faculdade eu até tentei. Tinha uma banda, tocamos em alguns festivais e eventos em outras cidades, mas nunca consegui ganhar um real com isso – quando crescemos já começamos a nos preocupar com essas coisas. 

Diferentemente do que eu imaginava quando menino, estava me formando numa profissão tradicional e cheia de jargões, com poucos caminhos a seguir – pelo menos como eu enxergava naquela época – a não ser o serviço público ou a advocacia. 

Os dois caminhos eram muito bons. O serviço público me proporcionaria estabilidade financeira e eu não precisaria me preocupar com o dinheiro no final do mês. Já a advocacia me permitiria exercer o direito em sua essência, argumentando, desenvolvendo teses, estudando e defendendo o direito das pessoas. 

Mas, concursado ou advogando, a imagem que eu tinha dos meus dias de vida era sentado numa cadeira de escritório o dia inteiro, com apenas trinta dias de férias para estar onde eu queria. E isso me incomodava bastante. Afinal, aquele menino viajante e livre ainda estava vivo dentro de mim. 

Escolhi a advocacia – até mesmo porque não consegui passar em nenhum concurso público. 

Dito e feito. Por dois anos e meio minha rotina foi acordar, entrar no escritório (que não era o meu) sentar numa cadeira às 8h e ir embora às 18h. 

O pior de tudo é que eu não enxergava uma possibilidade de sair daquele padrão corporativo de trabalho. Na minha cabeça, ou eu encarava ter que abrir e fechar o escritório todos os dias e esperar as férias ou teria que procurar outra coisa (pensei até em publicar blogs sobre emagrecimento e fitnesssério). 

A sua liberdade pode estar a dez minutos de leitura 

Era uma manhã como outra qualquer, provavelmente uma sexta-feira, quando eu ficava de bobeira na internet só cumprindo horário – pois já havia feito praticamente todo o trabalho no dia anterior. Não me lembro muito bem sobre o que estava pesquisando, mas esse texto aqui apareceu nas sugestões do Google e eu li. Quando terminei de ler, me senti esbofeteado. Naquela noite eu não dormi, fiquei furioso comigo mesmo. 

Inseguro? Medroso? Conformado? Esses eram os adjetivos que me descreviam naquele momento. Era como se todos eles tivessem travado meu cérebro durante todo aquele tempo. 

Porque eu não tinha colocado meu cérebro para funcionar antes? Tudo parecia óbvio demais. , os processos judiciais são eletrônicos, eu trabalhava escrevendo e a maioria dos contatos com os clientes era por e-mail ou telefone. O que eu estava fazendo sentado naquela cadeira de escritório o dia inteiro, então? 

Foi o start: eu poderia ser um advogado nômade digital. 

Faça alguma coisa 

Quando tive esse start eu estava prestes a me casar. Faltava um mês, para ser mais específico. 

Naquele momento era como se eu estivesse no ponto central de uma gangorra tentando equilibrar os dois extremos. Eu não queria me casar e continuar arrastando uma vida morna, sentado na cadeira de um escritório o dia todo, sem ter tempo para minha esposa nem para nossas aventuras, mas também não poderia “largar tudo” como alguns divulgam por aí. Eu precisava de um plano. 

Cara, aí eu tive outro start! , como os processos judiciais são eletrônicos e eu trabalhava escrevendo, eu poderia cumprir os prazos de maneira remota. Ou seja, eu mudaria totalmente meu estilo de vida, sem deixar de fazer o que eu já estava fazendo: cumprindo prazos. 

“A jornada de mil milhas começa com um passo”. (Lao Tzu) 

Ensaiei bastante e, como não aguentava mais de ansiedade, no outro dia fiz essa proposta para o pessoal do escritório no qual trabalhava. Aqui eu tive que vencer meu medo e arriscar. Afinal, eles poderiam não aceitar e o meu plano iria por água abaixo. 

De qualquer forma, pensei: o não eu já tenho – e só vivemos uma vez. 

Eles aceitaram. 

Já nas primeiras semanas trabalhando em casa eu conseguia cumprir, em meio período do dia, o que eu levava o dia todo para concluir sentado na cadeira do escritório – olhando para o relógio, é claro. Nesse tempo de sobra, comecei a investir na minha própria marca pessoal. 

Publiquei um blog, melhorei meu perfil no LinkedIn e no Jusbrasil (estavam às moscas) e comecei a produzir conteúdo e me relacionar na rede, coisas que eu não fazia antes. 

Conclusão 

Lembra que eu queria liberdade? Me tornei um advogado que carrega o escritório na mochila, conta sua história por aí e, recentemente, mudou-se para um sítio. 

Às vezes precisamos deixar de apenas querer mudar a nossa vida e decidir criar a realidade que queremos. Essa mudança pode estar a um texto de distância.


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Advogado que escreve e carrega o escritório na mochila. Além de advogar e produzir conteúdo jurídico para escritórios de advocacia, eu inspiro e ajudo outros advogados insatisfeitos com seu estado atual a estruturarem seu negócio jurídico de forma totalmente online, a fim de que tenham mais tempo livre e mobilidade, sem perder dinheiro mantendo toda a estrutura de um escritório.